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terça-feira, 1 de maio de 2012

Dezesseis Meses



Costumava acreditar que nem tudo tinha razão
Que determinados pontos eram brancos, sem história
Costumava acreditar que nem tudo fazia sentido
E que por isso, havia um risco
De se deixar cair no vazio

Mas foi você que apontou o erro
Disse que até nos mais desolados ermos
Existe uma fagulha de divindade
Não necessariamente vinda dos deuses
Mas da minha força de vontade

Eu perdi algumas batalhas, eu sei
Mas como guerreiro, meu escudo é a escrivaninha
E se eu estiver com você, a vitória é minha

Eu queimei todas as cartas, eu sei
E como guerreiro, minha espada são as letras
E se eu estiver com você, o limite são as estrelas

E se houve algo que aprendi com a minha derrota
Foi que a minha felicidade também é a sua
E que por isso
Minhas lágrimas não eram dignas
Do seu sorriso

Desculpe se estiver sendo inconveniente
É que já alcançamos dezesseis
E ainda não me cansei de ser surpreendente
Mesmo depois de todos esses meses

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Quatro Luzes





Onde você está?
Está longe daqui
Você não pode estar perto
Se não há luz para me desiludir

Venha e me liberte
Me liberte desta caverna
Estou cansado das sombras

Solte-me acordas
Me ilumina com essa paz
Estive sem enxergar por tempo demais

Ilumine minha cena para que haja filme
Ilumine minhas letras para que haja página
Ilumine minhas tintas para que haja quadro
Ilumine meus olhos para que haja você

Solte-me acorrentes
Estive longe por tempo demais
Mal consigo dar meus passos no escuro

Saí dos escombros para a vida
E eu quero existir
Eu imploro, rosto ao chão
Deixo a penumbra para trás

Eu quero persistir
Eu imploro, junto as mãos
Escuridão nunca mais

Eu quero conseguir
Eu imploro, com paixão
Eu quero ser capaz

Eu quero ser capaz
Esperei por tempo demais
Eu quero ser capaz
Fiquei no escuro por tempo demais
Eu quero ser capaz
Não voltar para as trevas nunca mais

terça-feira, 17 de abril de 2012

Três Tempestades De Areia




Com quantos grãos é feito uma ampulheta?
Poderia ser um castelo de areia e ainda não saberíamos.
Poderia ser uma praia e ainda não saberíamos.
Poderia ser um deserto e ainda não saberíamos.

Não importa quantos são
Nem tudo é fugaz, obliterável
Nem tudo é efêmero, mensurável

Porque no deserto do tempo,
Há castelos de areia que não se movem
E permanecem como montanhas.

A tempestade de areia vem
O tempo tempespassa
E nós permanecemos.

No tempo, sentidos se esvaem
Sentidos se reforçam, no tempo
Transformam-se no tempo os sentidos

Quando tudo em volta não pára de mudar
Quando tudo se torna diferente
Permanecer é a melhor forma de continuar
De seguir em frente

A tempestade de areia vem
O tempo tempespassa
E nós continuamos.

sábado, 14 de abril de 2012

Dois Egos


Eu juro, eu queria ter feito versos mais bonitos
Estou devendo, já vem de algum tempo
Mas não posso deixar de dar o aviso:

Você não sente?
Você não está sentindo
O destino puxar a ponta do laço que demos juntos?

Você não sente?
Você não está sentindo
O destino puxar a ponta do laço que demos juntos?

Não há vencedores na batalha de egos
Não há vencedores onde não há amor
Onde está o amor na batalha de egos?

“Faça o que quiser, só não me chame mais
Não me envolva, eu não quero saber’’

“Eu faço o que eu quiser, não vou mudar
Se tiver de ser assim, é melhor isso acabar’’


Quem é você, nessa batalha de egos?
De que lado você está?
Quem sou eu, nessa batalha de egos?
De que lado eu estou?
Quem somos nós, nessa batalha de egos?
E de que lado nós estávamos, que não estamos mais?

Você não sente?
Você não está sentindo
O destino puxar a ponta do laço que demos juntos?

Quem éramos antes
E quem nos tornamos em instantes
Nessa batalha de egos?

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Um Propósito

Parou de escrever.

Todos eventualmente seguem seus próprios caminhos, é o que diz seu texto, e embora ele saiba disso, não conseguiu traçar um caminho para si mesmo.

Aos olhos dos outros, é um estranho.

Ele não deveria se importar, mas ao mesmo tempo, quem não gosta de ser amado por todos? E ele já foi, em algum momento turvo demais para ser lembrado. De pouco a pouco, ele vê as pessoas desaparecerem. Se não agora, dali a poucos meses. As semanas passam rápido, e parecem cobrar dele algo que não pode ser dado – ou devolvido.

“Mais um dia, menos um dia”, assim diz a matemática do tempo. Ele sente a existência bater à porta e cobrar seu propósito, e ele jura, ele quer ter um. Então onde foi que se perdeu? Tudo parecia fazer sentido até o dia anterior, mas os sentidos se perderam. Ele perdeu o sentido.

Na busca incessante e discreta, ele procura a cada dia algum significado. Alguma pista, algum destino. Ao contrário do que pensam, não ter um sentido a seguir gera um conforto, mas o perigo é deixar se tornar conformismo. Enquanto vê seus amigos darem o seu melhor, enquanto vê seu amor dar o melhor, o que ele tem dado? A quem ele tem dado? Como tem dado? É muito fácil apenas receber.

“Mais um dia, menos um dia’’, repete a voz do tempo vinda do eco do tique de relógio na parede. No reflexo do espelho, há apenas uma sombra decadente do que um dia foi seu rosto. “Essa é a melhor forma de dar o que há de melhor em mim?’’, perguntou.  Ele jurou ter ouvido um “não” vindo do espelho. Envergonhou-se, prostrou-se, e só não chorou porque não havia mais o que derramar dos olhos.

Foi então que encarou o espelho e enxergou: não havia perdido o sentido. Se algo não faz sentido, é porque faltou alguém que lhe atribuísse um. Há algo na inércia que desfaz os sentidos das coisas. O que faltava a ele então era atitude, iniciativa para recomeçar.

Ele voltou para a escrivaninha. Encarou o papel. Já havia passado tempo demais.

Voltou a escrever.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Um post diferente sobre RPG

Decidi fazer do primeiro post do ano algo bem diferente do que posto aqui.

Como alguns sabem, além de gostar de escrever, também adoro um jogo chamado RPG. Posso dizer que muita da criatividade que alguns dizem que eu tenho foi incentivada e desenvolvida nesse jogo.

Para quem não sabe o que é ou tá achando que se trata daquele tratamento para coluna, veja mais aqui.

Depois de muitos anos jogando, acabei criando um cenário de um dos assuntos que mais gosto: Feudalismo japonês.

Compartilho aqui com vocês que curtem, um pdf bem simples explicando as coisas desse mundo, com algumas regras para GURPS. Não me concentrei muito em regras, então dá pra adaptar fácil pra qualquer sistema, eu acho.

E por favor, não enxerguem esse pdf como um livro de RPG, pois não é. Não tem toda a didática e tudo mais. Foi feito para RPGistas que precisam de um ponta-pé pra ter sua campanha no Japão feudal. Eu fiz o pdf para consulta própria, por isso não me prendi a detalhes nem a descrições extensas.

Acho que vale uma conferida, por isso quis compartilhar aqui com vocês :)

Sobre as sessões do livro:

O Mundo de Nihon: Aqui eu dou uma explicação bem básica dos lugares. Vocês vão notar que os impérios tem espécies de atributos. Eu fiz para resumir descrições longas. Os valores vão de 1 a 5, portanto, quanto maior o valor, melhor aquele Império é naquele quesito. Isso já dá a ideia da potência do lugar. O problema mesmo é que não pude digitalizar o mapa. Eu mesmo o desenhei a mão, e apesar de não ser nenhum desenhista, dá bem pro gasto. Então, o entendimento dessa sessão pode ser prejudicada pela falta do mapa, mas assim que eu conseguir escanear, subo o mapa para download também.

Linha do Tempo de Nihon: Talvez seja a parte mais detalhada. Fiz questão de descrever bastante coisa, desenvolvendo todas as guerras, revoluções e intrigas políticas, mas ao mesmo tempo, dando espaço para acrescentar coisas novas na cronologia quando me desse vontade. Mais uma vez, a falta do bendito mapa... mas em breve, eu ponho o mapa aqui também para download. Aí o entendimento dessas duas primeiras sessões vai ser 100%.

Guerras e Revoluções, Tratados, Grupos Político-Econômicos: Basicamente essas sessões discriminam os acontecimentos descritos na Linha do Tempo, pra facilitar a consulta.

Campeonato Kamisori: No mundo de Nihon, o Kamisori é como uma Copa do Mundo dos Samurais. A comparação é ridícula, mas é a mais simples. Por razões explicadas na Linha do Tempo, convencionou-se a criar um torneio ''mundial'' em que samurais de todos os feudos se degladiassem. Nessa sessão, há uma lista dos campeões.

Regras do Kamisori: Aqui sim, há todas as regras do torneio para que ele possa ser usado em alguma aventura ou campanha.

A Sociedade de um Império: Talvez o grande diferencial (além das questões políticas) seja essa parte das castas. A sociedade feudal japonesa era dividida em castas, como a sociedade da Índia. Fiz questão de trazer essas castas para o cenário, adaptando-as para as regras de GURPS. Entretanto, elas são facilmente adaptáveis para outros sistemas.

Os Estilos de Combate e Armas: Essa sim deve ser a parte mais dedicada ao GURPS. Me dei ao trabalho de criar regras pra algumas armas japoneas menos conhecidas. Além disso, coloquei algumas armas fictícias também (como a tessaiga, do mangá Inuyasha e a sakabatou, do mangá Samurai X).

Religião: Procurei bastante por deuses japoneses. Acho que está faltando um ou outro, mas acredito que reuni os principais da mitologia. Também há uma explicação sobre os planos.

Criaturas Fantásticas (Youkai):  As criaturas não têm ficha, porque não senti necessidade para minha mesa de jogo fazer a ficha de TODOS os youkai. De qualquer forma, é possível fazer fichas usando essas criaturas. E sim, elas foram tiradas de mitos reais do imaginário oriental. Não foi criação minha.

Alinhamento: Apesar de ter algumas pequenas regras pra GURPS, esse sistema de alinhamento se mostra ideal pra qualquer campanha de RPG. Muitos amigos meus elogiam por não ser tão maniqueísta como no D&D, sendo mais complexo, mas ainda assim, ajudando a interpretação do jogador.



Bom, é isso. Eu sei que o mapa vai fazer bastante falta, mas muito em breve ponho aqui para download também.

Para baixar o pdf é só clicar aqui.


Comentem comigo no twitter ou por aqui mesmo o que acharam.

(O mapa, em breve, prometo)

sábado, 12 de novembro de 2011

Artaud, Foucault, Rousseau E Outros Crânios Que Rimem Com Ô

Ana estava no ônibus. Apenas mais um dia indo para a faculdade. Fone de ouvido, MP3 no bolso (pra malandro não roubar), bolsa no colo e tédio no rosto.

Enquanto refletia seriamente sobre a não-existência de um tele-transporte, notou uma barata. Suas antenas se agitavam freneticamente, como se procurassem algo. Mesmo com os solavancos do ônibus, que fazia todo mundo voar, a barata continuava sua busca incessante por algo. Talvez tivesse entrado ali sem querer na última estação.

O fato era que aquela barata parecia estar tão perdida quanto a própria Ana. Foi daí que de reflexões infrutíferas sobre a velocidade da luz, Ana se prendeu à sua inércia. Não importava o quão lento o ônibus estivesse indo, a garota não demonstrava nenhum tipo de resistência nas freadas repentinas. Não importava o quão veloz a vida passasse, a garota não demonstrava nenhum tipo de resistência nas correrias constantes.

Depois de enxergar isso, Ana teve um meta-raciocínio: por que diabos estava prestando atenção àquela barata? Qualquer um no lugar dela já a teria pisado. De qualquer forma, seja lá o que fosse, não comeria a barata também. Não era necessário. Era ela na vida (e no ônibus) tão passageira quanto aquela barata, afinal.

Lembrou do ano anterior, seu terceiro ano do ensino médio. Ana viera de um colégio, desses aí de pré-vestibular que existem aos montes. Não que fosse ingrata, ou algo do tipo, mas depois que entrara na faculdade, pôde notar o quão inútil foi toda aquela decoreba e todos aqueles macetes de prova. Chegou à faculdade e mal sabia quem era Artaud, Foucault, Rousseau e outros crânios europeus que rimassem com ô. Quantas pessoas ali já sabiam e já haviam lido incontáveis vezes todos esses Deuses do Conhecimento, e os reverenciavam diariamente, além de seguir todos os dogmas nunca ditos por eles.

Muitos, bastante críticos, lutavam, lutam e ainda lutariam muitos anos por seus ideais. Pessoas desesperadas em fazer a diferença. E como Ana pôde perceber, estar desesperado em mudar não tem nada de errado, muito pelo contrário. Buscando dar algum exemplo a si mesma, Ana visualizou um assaltante à sua frente, ao lado do cobrador.

O cobrador chora, e uma criança soluça dentro da mira de um revólver. Todos atônitos, segurando suas bolsas e mochilas — não por serem mesquinhas, mas por quererem ter a sensação de controle sobre algo. O assaltante ri com o canto da boca, enquanto faz sinal com a mão livre para colocarem o dinheiro na mochila. O ônibus não está mais em movimento, está cercado de policiais fortemente armados. Helicópteros da imprensa sobrevoam o veículo, ostentando toda a sua espetacularização mórbida.

Ana se oferece para ser refém no lugar da criança. Os policiais do lado de fora olham tensos. Aquela é a hora, a hora de fazer a diferença. Se viver, ela pode contar aquilo para todos os amigos e parentes. Mas não, independente de haver uma platéia aplaudindo, é isso que deve ser feito.

O negociador se aproxima do ônibus, o assaltante dá um tiro pro teto. Todos gritam. Cazuza grita por piedade no fone de ouvido de Ana.

Ela já estava no ponto da faculdade. Desceu do ônibus, deixando todos os reféns, helicópteros e policiais com ele. Entrou pelo portão da faculdade ainda sem ter idéia do que poderia mudar. Pelo menos já tinha a certeza de que algo deveria mudar.

E esse já é o começo.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Fim Da Infância

Esta história não é baseada em nenhum filme. Ela é bem real. E por ser real, não tem um final muito diferente de todas as outras histórias reais.

Houve uma vez três bonecos de brinquedo. Um feito de pano, outro de madeira, e outro de plástico.

O primeiro não tinha lá grandes coisas. Era só um boneco de pano mofado. Possuía um coração de ouro (no sentido figurado, claro), e se alguma criança lhe desse a chance, poderia conquistá-la facilmente. Mas nenhuma criança nunca deu chance alguma.

O segundo, de madeira, não possuía muitas articulações. Carregava consigo sempre seu sorriso um tanto congelado, imutável como a rigidez da madeira que era feito. Também possuía um bom coração, mas guardava consigo grandes ambições também. Por isso, não possuía um coração de ouro.

O terceiro, de plástico, era cheio de articulações, botões de fala e posições de combate. Pintado por crianças chinesas que trabalham vinte e quatro horas por dia. Nunca foi certo do que seu coração era feito, talvez com plástico também, tornando-o tão superficial quanto sua carcaça exterior, ou até sua embalagem.

Bom, a história demoraria muito para ser contada. Mas houve um dia que o lojista olhou para os três bonecos em sua vitrine, e decidiu jogar o boneco de pano fora, pois nunca o venderia. Desesperado, pediu ajuda de seu amigo de madeira, mas ele não atendeu. Sendo assim, restaram só dois dos três iniciais.

Um dia, uma criança veio, e obviamente comprou o boneco de plástico. Levou-o para casa, e brincou com ele por vários dias seguidos. Entretanto, a criança começou a cansar das falas repetidas do boneco e das mesmas poses de combate, que minavam sua imaginação na hora de brincar. Voltou à loja, e perguntou ao vendedor se não poderia trocar pelo de madeira, que mesmo sendo mais simples, era mais encantador.

O vendedor estranhou, mas aceitou desde que a diferença fosse paga. O boneco de madeira se sentiu enfim vitorioso, fora selecionado.

Anos se passaram, e a criança cresceu. O boneco de madeira havia se iludido, achava que seria para sempre, mas agora só era mais um brinquedo velho. Caiu no ostracismo escuro do baú de brinquedos. Ele sabia, logo, logo, aquela criança viria a ser um adolescente, e seus brinquedos seriam diferentes. Provavelmente com duas rodas, ou quatro. Telas luminosas em alta definição, vá saber.

A infância acabara.

sábado, 15 de outubro de 2011

Luto

Todos os dias, luto.
Em nome daqueles que
Já disseram adeus.

Todos os dias, luto.
Em nome daqueles que
Já foram para eu estar aqui.

Todos os dias, luto.
Em nome daqueles que
Cumpriram seu papel.

Todos os dias, luto.
Por todos aqueles que
Dariam a vida por mim.

Todos os dias, luto.
Pela saudade que sinto
E que nunca mais será saciada.

Todos os dias, luto.
Em nome daqueles que
Não podem mais lutar.

Todos os dias, luto.
Por todos que aqui não estão,
Mas gostariam de me ver lutando.

Avenida Brasil

No meio do caminho tinha uma estrada.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma Brasil.
Tinha uma Brasil no meio do caminho.
No meio do caminho tinha uma Brasil.